
O Espetáculo
"Não é uma biografia. É um delírio documentado."
O encontro que a história não deixou acontecer. Em 1969, Renato Borghi - cofundador do Teatro Oficina e um dos maiores atores do Brasil, com 69 anos de carreira - conheceu pessoalmente Dalva de Oliveira no Restaurante Gigetto, em São Paulo. Àquela altura, Dalva era Rainha do Rádio por voto popular e a maior vendedora de discos do Brasil em sua era. Borghi quis propor a ela um espetáculo em que cantaria canções de Brecht com música de Kurt Weill. A morte de Dalva, em 30 de agosto de 1972, impediu a realização. Cinquenta e sete anos depois, o desejo chegou ao palco. Renato Borghi, aos 89 anos, invade o camarim de sua musa para reviver o delírio daquele encontro. A ficção é a memória. O palco é o lugar onde o impossível acontece.
Teatro musical documental épico-lírico · 110 minutos sem intervalo · Classificação 12 anos
SESI-SP concluído: 60 apresentações gratuitas, de 28 de março a 12 de julho de 2026 · Teatro Claro Mais, Rio: 32 apresentações, de 31 de julho a 27 de setembro de 2026
A Inovação
"Estranhamente, eu era cria da Rádio Nacional e acabei trocando Emilinha Borba por Brecht." - Renato Borghi
Minha Estrela Dalva - O Musical leva o documentário cênico, criado por Elcio Nogueira Seixas em Borghi em Revista (2004), ao encontro do teatro musical. A obra funde o melodrama sentimental da era de ouro do rádio ao distanciamento crítico do teatro épico de Brecht e Weill. Dessa fusão nasce o teatro musical documental épico-lírico, contribuição original à linguagem do teatro musical brasileiro.
A CENOGRAFIA MODULAR de Márcia Moon parte de uma escadaria monumental de 13 metros de largura, dividida em 13 módulos móveis que criam ilhas, montanhas e abismos ao longo da narrativa. Concebida para ser desmontável e transportável, utiliza 7 módulos na circulação e preserva o septeto ao vivo, sem perda do argumento cênico ou musical. O reuso integral nas seis temporadas orienta a meta de zero resíduo.
A direção musical de William Guedes conduz um septeto ao vivo que funde samba-canção, bolero e a sonoridade do cabaré berlinense de Brecht e Weill: violão, bateria, baixo, piano elétrico, violoncelo, viola e violino em cena, construindo uma fusão musical inédita no teatro brasileiro.
Relevância Hoje
Dalva de Oliveira não é passado - é uma estrela pop que o tempo não conseguiu apagar. Décadas antes do termo existir, sua obra já cantava o universo hoje chamado de sofrência: amor, traição, abandono e recomeço. Sua influência chega a Ângela Maria, Elis Regina e Gal Costa; Maria Bethânia a definiu como um mito intocável, Gilberto Gil reconheceu a força popular que ela representava e Alcione gravou Segredo. Mais de cinquenta anos após sua morte, Dalva segue presente em fã-clubes e em milhões de visualizações no YouTube.
Sua história ressoa com força no debate contemporâneo. Chamada de Messalina pelos jornais dos anos 1950 após sua separação de Herivelto Martins, ela foi submetida ao mesmo linchamento público que as redes sociais aplicam hoje a qualquer mulher que ousa viver fora do roteiro. A tecnologia mudou. A lógica, não. Dalva respondeu com canções que não eram mea-culpas - eram manifestos: "Errei sim. Que venha logo a primeira pedra me atirar."
"No Brasil só existiu um mito: Dalva de Oliveira. Intocável." - Maria Bethânia
"Um dia as pessoas vão descobrir que Dalva de Oliveira é a nossa Billie Holiday." - Elis Regina
Impacto Social e Cultural
60 apresentações gratuitas realizadas no SESI-SP · 32 apresentações no Teatro Claro Mais, Rio · cerca de 45 mil espectadores nas temporadas de São Paulo e do Rio de Janeiro · 27 sessões com Libras e audiodescrição no SESI-SP · novas temporadas e circulação em 2027
Direção e Criação
"Este texto é mais que um espetáculo. É uma declaração de amor." - Elias Andreato
Elias Andreato - Co-direção
Elias Andreato é codiretor de Minha Estrela Dalva - O Musical. Em Mahagonny, de Brecht e Weill, em 1976, encontrou Renato Borghi. Mais tarde, na Escola Célia Helena, conheceu Elcio Nogueira Seixas e apresentou os dois artistas. Esse encontro está na origem do Teatro Promíscuo e da parceria que agora reúne Renato, Elias e Elcio no palco e na criação do espetáculo.
Elcio Nogueira Seixas - Co-direção e elenco
Ator, codiretor e colaborador da dramaturgia, Elcio Nogueira Seixas iniciou sua parceria artística com Renato Borghi em 1993, quando fundaram o Teatro Promíscuo. Criador do documentário cênico com Borghi em Revista (2004), interpreta em cena o jovem Renato do encontro de 1969. "A PRESENÇA não viaja em linha reta - ela espirala. E um dia volta para buscar você."
A Teia de Afetos
Elias Andreato liga todos a todos. Renato e Elias se encontraram em "Mahagonny" (1976). Elias e Elcio se conheceram na Escola Célia Helena. Elias apresentou Elcio a Renato. Elcio e Renato fundaram o Teatro Promíscuo (1993). 33 anos depois, os três se reúnem para realizar o espetáculo que nenhum deles poderia fazer sem os outros dois - feito exatamente na linguagem que juntos construíram ao longo de décadas.
Elenco e Equipe

Renato Borghi - ele mesmo
Dramaturgo, narrador e coprotagonista, Renato Borghi é um dos maiores atores vivos do Brasil. Cofundou o Teatro Oficina em 1958 com José Celso Martinez Corrêa e protagonizou O Rei da Vela, Galileu Galilei e Na Selva das Cidades. Aos 89 anos, com 69 anos de carreira, sobe ao palco como ele mesmo: uma memória viva que liga Brecht à Rádio Nacional e a contracultura dos anos 1960 ao teatro do século XXI.
"Aquela voz não saiu mais da minha cabeça. Foi o meu primeiro chamamento para a arte."

Soraya Ravenle - Dalva de Oliveira
Soraya Ravenle, 63 anos, acumula mais de 30 musicais. Em 1987, ainda jovem cantora, integrou o coro de A Estrela Dalva, musical biográfico de Renato Borghi com Marília Pêra. Em Minha Estrela Dalva - O Musical, evoca a Rainha da Voz no presente do palco e completa a volta de 360° que define sua relação com o teatro musical brasileiro.
"Dalva, a quarta parede não existe entre nós!" - Soraya Ravenle

Ivan Vellame - Os amores de Dalva
Ator, cantor e poeta baiano, Ivan Vellame interpreta Herivelto Martins, Bruno, Kiko e os demais homens que marcaram a vida de Dalva - trazendo ao palco os sambas imortais e os conflitos que definiram a era de ouro do rádio. Formado pela CAL-RJ, aperfeiçoou-se com Maurice Durozier e Francesca Della Monica. Integra o musical "Torto Arado" e foi indicado a Melhor Ator no MET CCBB RJ.
"Eu espero que, principalmente os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões." - Ivan Vellame
Septeto ao Vivo
William Guedes (violão e direção musical) · Nath Calan (bateria e percussão) · Giancarlo Barletta (baixo) · Gustavo Fiel (piano elétrico) · Denise Ferrari (violoncelo) · Eliza Monteiro (viola) · Mica Marcondes (violino)
Equipe Criativa
Dramaturgia: Renato Borghi, com colaboração de Elcio Nogueira Seixas, Elias Andreato e João Elísio Fonseca · Cenografia: Márcia Moon · Assistência de Cenografia e Direção de Palco: Márcio Zuñiga · Figurinos: Fábio Namatame · Iluminação: Wagner Pinto · Direção de Movimento: Roberto Alencar e Irupe Sarmiento · Desenho e Operação de Som: Cecília Lüzs · Fotografia: João Caldas · Projeto Gráfico: Werner Schulz · Direção de Produção: Lukas Cordeiro · Produção Executiva: Camila Bevilacqua
